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terça-feira, 23 de abril de 2013

Madrugada

O silêncio perfura a madrugada...Folhas dançante com o vento uivante lá fora!
Não posso dormir, inquieta, o frio que aconchega, mas não acalma...
Preciso terminar os relatórios! Morfeu, espere um pouco e vá trocar ideia com a minha alma!

Mah Magnusson

sábado, 15 de dezembro de 2012

Andarilha



De olhos fechados com a brisa suave a envolver os meus cabelos, sentir o aroma da terra a envolver-me, como num abraço de boas-vindas. Infinita calmaria que me abraça e me consola, peço que me leve embora dessa loucura urbana. 

Pertenço a qualquer estereótipo banal, não perdendo jamais meu o sentido, o que almejo e talvez sem uma estrada definida seria ideal.  

Não me deram opções...Permaneço livre para formular a minha opção, fazer e dar sentido ao que realmente sou e o que essencialmente busco.

Por Mah Magnusson



quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Óbvia embriaguez

Procurava pelos cantos das entrelinhas razões que mudassem o que de fato não poderiam mudar nos vossos corações. Insistia na bondade da oligarquia que a riqueza seria conquistada por todos por mais que existisse rebeldia.

Dormia alegremente nos braços de Morfeu...Tornando seus sonhos mais doces para viver do que já morreu.
Mergulhava na angustia, percorria no desespero e corria do temor da solidão... Andarilha apática da alegria fantasiada.
Viajava pelos montes dos alqueires em um reino distante, tornando real um pedaço do passado despedaçado. Falava com os anjos, sentia borboletas flutuando no estomago, mas se esqueceu de tomar o chá de cogumelo que deixou em cima da mesa e teve que voltar dos montes dos alqueires.
Bela voz impostora que sustentava o fruto mais doce dos sonhos despedaçados. A bela voz impostora se desfez do patético ao desencanto mais obvio de todos os tempos. Não importantes com o brilho ofuscante da essência, apenas olhou cegamente o encanto do encanto do instante. Enganou-se e na sua inocência confundiu os perfumes...O anjo não era anjo. 
Bebeu do cálice, o saboroso vinho do reino das armadilhas... Nas tentativas falhas de permanecer embriagada, uma gota de vinho escorregou de sua boca e manchou seu vestido... Pensou ser um sonho e do inevitável enxergou o que era óbvio demais e nada além do que já pressentia.
Não terminaste seu cálice e no mesmo instante saístes no desespero profundo à procura da saída mais próxima do reino. Atordoada, angustiada sentia-se perfurada pelos respingos de vinho derramados do cálice.
Relutou em tentar novamente a permanecer no reino, mas sua coragem a proibiu e sua consciência foi tomada por uma invasão de princípios.
Seguiu em frente, não olhou mais para trás... Continuou caminhando em seus passos pesados e mesmo angustiada ergueu a cabeça, apenas sorriu e disse:

 “Não há tempo para perder perto daqueles que nos tornam ainda menores. Sou feliz por continuar a me embriagar com aqueles que me tornam gigante em qualquer reino”. 

Por Mah Magnusson

sábado, 10 de novembro de 2012

Nascemos originais e morremos cópia

Fico previamente angustiada quanto aos assuntos alheios que vejo, então quando observo com atenção percebo que as pessoas não estão a fim de melhorar seus argumentos, apenas soltam tudo sem pensar e pronto. Tudo muito mecanizado, discursos prontos e politicamente corretos.

 Penso que hoje em dia é difícil ser o que realmente é  sem parecer uma copia barata da mídia, internet, é muito modismo... Leio alguns textos, postagens, frases  e percebo a falta de originalidade seja do assunto em si ou até mesmo quando vão falar de si mesmo. Parece ser tão difícil as pessoas falarem delas, sinto um vazio em cada postagem no facebook, por exemplo, ninguém parece justificar os próprios meios ou nada por  nada!

Qual o propósito em parecer cópia perante as outras pessoas, perante a sociedade? Ser mais um fantoche do que julgam ser correto? Fica nítida a falta de subjetividade em todos aspectos...Muita bondade alheia sobrando! 
Precisa postar, falar, comentar 500 vezes sobre o mesmo assunto? Conheço gente  que se diz vegetariano mas já vi no McDonald's (comendo um lanche que certamente não era de soja! rsrs) Postando sobre respeito, fidelidade e penso caramba quanta hipocrisia! Por que você sabe muito bem o que a pessoas faz fora dali... Enfim, minha crítica não de julgar o que cada um é, ou o que cada um acredita, mas o que de fato tentam ser! Poxa, então a moda agora é ser ateu e vegetariano, pronto. Tem que ser isso ou aquilo quando você realmente acredita, quando VOCÊ acredita! Ser o que de fato é, como diz a Pitty: "mesmo que seja estranho seja você, mesmo que seja bizarro seja você..." Será que é tão ruim ser o que é? Pode ser uma tarefa um tanto árdua quando assumimos o nosso verdadeiro eu, pois podem surgir muitas pessoas que não vão gostar do nosso jeito, mas ainda sim é preferível seguir sua própria essência sem parecer mais um produto de fabricação em massa! 

Será que precisa mesmo enfatizar tanto sobre o mesmo assunto? Precisa provar que  é exatamente nisso que acredita? Quando enfatizamos tanto em um determinado assunto  nossa cognição esta voltada na direção que nos apontando o que precisamos afirmar por inúmeras vezes para nós mesmos o quanto precisamos acreditar, porém isso surge como falsificador de ideias do nosso sistema cognitivo, é como se tivéssemos que acreditar em algo em que realmente não acreditamos, mas que precisamos acreditar, seja por status, "aparência" perante outras pessoas, enfim isso tudo servirá como estímulo reforçador da ideia. É bom pensar, revisar, analisar e enxergar o propósito no qual está inserido e verificar a veracidade do que realmente diz acreditar, passar uma imagem falsificada não vai resultar bons frutos, muito pelo contrário isso mostra deficiência na formação da personalidade. A vida passa muito rápido e não há tempo de agradar a todas  pessoas, de tentar ser o que não lhe cabe, de tentar fazer sentido no que essencialmente não é. Melhor é ser autêntico de ideias, fazer coisas, acreditar naquilo que vem de dentro e saber/ter a humildade de aceitar o que é e que outras pessoas não vão gosta de você, mas que algumas outras vão se apaixonar, simplesmente por ser você. 



Por Mah Magnusson

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Uma leve Paranoia

Certamente devo confessar que tenho certas perseguições cognitivas... Lutando contra pensamentos intrusivos, descobri a pouco tempo que sou digamos que um pouco "paranoica",  nada patológico, o suficiente para corrigir certos defeitos e anular circunstancias desnecessárias.


Foto: Anja Stiegler
Nos últimos meses tenho percebido uma fumaça tóxica ao meu redor. Chuvas e mais chuvas de críticas nada construtivas e meros pensamentos destorcidos da minha própria realidade. A cada elogio me sentia mal, pensava ser apenas elogio errôneo de pessoa que talvez estivesse com alguma outra intenção ao me elogiar e não de realmente assegurar o elogia, logo acabava por levar o elogio como crítica também.

Em relação às críticas percebi que não as aceito se não for devidamente alinhada e acompanhada a uma construção para melhoria do que está sendo criticado. Mas, isso foi ficando exaustivo! Pensar que todos são obrigados a se alinhar nesse meu pré-requisito moldado ao egocentrismo, desconfianças injustificadas, contexto que eu mesma estava criando (ou não)...
Comecei a ser muito exigente com as pessoas, querendo mais delas e esperando sempre o melhor delas em relação a mim. Vivendo praticamente a mercê do que as pessoas próximas pensam ou podem vir a pensar de mim, no entanto, há uma ruptura na cognição quanto a isso, apenas se prestarmos a atenção podemos observar que se espero muito das pessoas, logo vou culpá-los dos meus próprios erros, pois depositei toda minha expectativa e caso não seja retribuída acarretara a uma frustração, eu frustrada = decepcionada e decepcionada = culpa “das pessoas”.

Outro fator que me fez pensar que sou um tanto paranoica é que quando sinto certo tom de ameaça em uma conversa, por exemplo, imediatamente contra ataco pressentindo algo ameaçador, uma ofensa no caso, ou anulando meu conhecimento do respectivo assunto na roda. Isso me deixa ansiosa, não aceito o contrário, porém de modo que justifiquem o porquê, como, onde... Mas ninguém justifica nada! E então sou obrigada a ficar cobrando tanto de mim a ponto de me enquadrar nas características do Distúrbio de personalidade paranoide.

Talvez eu realmente tenha uma "leve paranoia" no que se refere a esses argumentos citados, quanto eu achar que as pessoas apenas me criticam, não gostam o suficiente de mim e blá blá...Mas cobrar tanto de mim, cobrar tanto das pessoas, me auto-analisar para reconhecer os meus  próprios erros e defeitos a fim de melhorá-los, não é ser paranoica. Mas tive vontade de escrever sobre isso do ponto de vista empírico, não apenas citar o que pôde vir a ser esse distúrbio  pois isso é seria o caso de jogar no Google e pronto! 
Venho sempre na tentativa de mesclar minhas experiências com meus estudos, claro que isso é apenas uma tentativa (tá! tá bom não estou desconfiando da minha capacidade, apenas sendo humilde quanto ao meu conhecimento rsrs). 
Ah, não se assustem, pois é perfeitamente normal Psicólogo apresentar alguma característica entre paranoia e neurose rsrs Isso é quase um pré-requisito da profissão é exatamente isso que nos da sentido para analisar o nada, o que ninguém vê, o obvio que todos pensam  conhecer, ir além do que se pode ver...

 Por Mah Magnusson

sábado, 27 de outubro de 2012

Minha Liberdade

Foto: Anja Stiegler
        O que me faz pensar em liberdade, não é aquela liberdade de intenção romântica, de ir para todos os lados a fim de adquirir novas experiências amorosas. Acredito que a liberdade seja relativa, logo cada pessoa enxerga de maneira em que acredita que seja bom ou importante para sua vida. Existe a liberdade de poder fazer simplesmente o que gosta, de trabalhar com o que sempre sonhou, comprar o que deseja, realizar sonhos, ter dinheiro, acredito que uma boa parte da liberdade é afetada pelo dinheiro, porque no caso,  por exemplo das vontades citadas acima, o dinheiro contribuirá para realização de muitos desejos, ele entra como um facilitador de desejos, é indispensável nas nossas vidas! Partindo de um raciocínio lógico em relação à liberdade, nos permite incluir como fator crucial a independência financeira. Mais do que nunca, a liberdade está atrelada à segurança financeira, pois buscamos sempre condições que nos são favoráveis para fazer planos, traçar metas em que o dinheiro está explicitamente ligado. Não quero discutir e nem levantar questões do tipo "O dinheiro não trás felicidade ou não compra felicidade" enfim, apenas quero relacionar  a liberdade com o dinheiro. Normalmente não podemos fazer quase nada sem o dinheiro, logo ele está ligado intrinsecamente a nossa tão estimada liberdade.
          Para Sartre (filósofo francês) que defende que a liberdade é absoluta ou não existe! Ele fala sobre a falsificação que fazemos sobre a liberdade, a má fé e refere ao determinismo da nossa espécie que colocamos no lugar do nada o ser. O que Sartre defende é que não conseguimos lidar com o nada e buscamos formas para justificar essa ausência do nada.
            Segundo Sartre, “a liberdade humana revela-se na angústia. O homem angustia-se diante de sua condenação à liberdade. O homem só não é livre para não ser livre, está condenado a fazer escolhas e a responsabilidade de suas escolhas é tão opressiva, que surgem escapatórias através das atitudes e paradigmas de má-fé, onde o homem aliena-se de sua própria liberdade, mentindo para si mesmo através de condutas e ideologias que o isentem da responsabilidade sobre as próprias decisões”.
          Para Schopenhauer, “a ação humana não é absolutamente livre. O homem não possui liberdade, pois é regido segundo suas vontades, não sendo livre para controlar a própria vontade, segundo Schopenhauer,” O que parece deliberação é uma ilusão ocasionada pela mera consciência sobre os próprios desejos. É poder viver sem ninguém mandar”.
Concordo com as duas linhas de pensamentos tanto Sartre como Schopenhauer, (entre outras teorias sobre o assunto que ficaria enorme se citasse todos aqui). Independente de tudo que se discuti a respeito desse assunto, acredito que a liberdade é relativa e está ligada com o direito de ir e vir, seja com ou sem money. Não somos totalmente livres para fazer escolhas, cada escolha será influenciada por fatores do ambiente que estamos inserido, isso é óbvio! Ao tomar uma decisão, faz-se necessário uma análise prévia de benefícios e consequências. Não vou nem dizer o quanto perdemos e ganhamos quando decidimos por isso ou aquilo. Então, ganhos e perdas são inevitáveis em qualquer situação, o que vale é checar o tanto que se quer, o risco que se está sujeito a correr, partir de uma análise qualitativa e quantitativa e observar qual o parâmetro que esta seguindo para tomada de decisão.
       Com diferentes pensamentos sobre a liberdade,  eu pergunto: Qual é a sua liberdade? O que você pode fazer ou deixar de fazer? E o que lhe impede de fazer? A minha liberdade é monstro, (como costumo dizer) simplesmente quero agarrar o mundo e levá-lo nas costas! Essa liberdade monstro que vem do fundo do âmago e me faz querer conhecer lugares, viajar pelo mundo...Essa é a minha liberdade, como uma andarilha desprendida conhecendo lugares afim de deixar a natureza me embriagar com tamanha beleza.

Por Mah Magnusson

sábado, 4 de agosto de 2012

Inveja

A inveja é um sentimento intrigante. Apesar de todos nós o experimentarmos, ninguém gosta de reconhecer quando o está sentindo. Afinal, é um sentimento controverso: indica que algo positivo desperta algo negativo. 
Vamos imaginar uma conversa entre pessoas que estão “jogando papo fora”. Do nada, alguém começar a falar das coisas boas que estão lhe acontecendo. Quantos rostos e mentes diferentes surgem naquele momento! Poucos expressam interesse real e se regozijam com sinceridade. A maioria irá sentir inveja, mesmo que não se dê conta... 

Foto: Vladimir Fedotko

Alguns expressam sua inveja com brincadeiras de “mau gosto”. Outros, calados, costumam pensar: “Como ele é exibido e gosta de contar vantagem!”. Já aqueles que não conseguem conter o ardor da inveja a queimar o seu interior, passam a criticá-lo, com a intenção de depreciar abertamente a sua boa sorte. Há ainda aqueles que passam a dar conselhos para ajudar aquela pessoa de sucesso a garantir o seu triunfo. 
O clima pesa, pois não há mais empatia entre as pessoas. Provavelmente, muda-se de assunto. Pois a essa altura da conversa todos estão sofrendo: quem contou sente-se só e arrependido. Quem escutou, agora sente-se incomodado, inquieto e talvez nem saiba porquê. A inveja é destrutiva, tanto para quem a sente quanto para quem a recebe. Quem já não vivenciou um mal-entendido quando alguém resolveu dar boas notícias! 
 O senso comum concorda que é melhor se precaver: “Inveja traz mau-olhado. Quando estamos vivendo uma situação muito boa é melhor calar”. 

Olho-gordo é um nome popular para a inveja. Pois quando o invejado toma para si as projeções negativas do invejoso, acaba por concretizá-las. O tema que evoca a inveja é sempre alguma coisa que poderia revelar o que está faltando na personalidade daquele que a sente. É como se o invejoso falasse em voz alta algo que o invejado não gostaria que jamais viesse à tona. Neste sentido, para não se deixar contaminar pelo veneno do invejoso, o invejado deve observar com honestidade sua reação frente ao ataque do invejoso. Se ele estiver livre das questões expostas pelo invejoso, sua clareza de intenção irá protegê-lo do possível ataque do “olho-gordo”. 

Quando somos criticados por avaliações contaminadas pela inveja, podemos nos sentir injustiçados e vulneráveis frente ao ataque externo. Neste momento, é bom lembrar que é praticamente impossível ser compreendido por todos, assim como é inviável agradar a gregos e troianos. O importante é mantermos o foco em nossas metas para não nos contaminarmos pela inveja alheia, pois ela sempre estará presente, de uma forma ou de outra. 

A inveja surge do sentimento de que somos incapazes de viver nossos próprios sonhos, de alcançar nossas metas e realizarmo-nos. Por isso, o exemplo daqueles que realizaram algo nos faz lembrar aquilo que não fomos capazes de fazer. No entanto, muitas vezes a sensação de incapacidade, a matriz da inveja, deve-se à escolha inadequada de metas, como desejar algo que não está ao nosso alcance. Em geral, costumamos não valorizar as coisas que já realizamos e assim cultivamos a sensação de desvalia sem nos darmos conta de nosso próprio valor. Neste sentido, a inveja consome o invejoso, porque o faz dar valor apenas ao que está além de seu alcance. 


A inveja é um dos sentimentos mais difíceis de serem aceitos pelo ser humano, pois na maioria das vezes é inconsciente. Isto ocorre porque ela se forma muito cedo em nossa vida. A inveja surge nos primeiros meses de vida na relação com quem nos alimenta! Quando queremos mais alimento e não temos, não toleramos a frustração, ficamos com raiva de quem tem o alimento. Com inveja dele, queremos destruí-lo. Como podemos constatar, a inveja é um sentimento primitivo, pouco 
elaborado. Ela está baseada no sentimento de inferioridade, adquirido pela comparação que se faz com outra pessoa em algum aspecto específico.

Assim como escreve Elisa Cintra em Melanie Klein Estilo e Pensamento (Ed. Escuta): “`Quem desdenha quer comprar´, diz o ditado: a inveja é quase sempre detectável na vida cotidiana por esse trabalho de desvalorização do outro, o que também foi narrado pela fábula da raposa e das uvas. Impossibilitada de ter acesso às uvas, a raposa começou a tecer considerações sobre a falta de valor dos frutos, o fato de estarem verdes... A inveja dirigiu-se aos frutos, isto é, à criatividade da árvore, àquilo que ela pode oferecer e criar. A idéia de `frutos´permite que se lembre a inveja da obra do outro, de suas idéias, de seu trabalho e de sua capacidade de criar obras de arte ou científicas. Entretanto, a inveja vai mais longe: além de depreciar os frutos, ela tenta diminuir o prazer da própria situação de gratificação, como na expressão popular `não dar o braço a torcer´, admitir o poder do outro”. 
         As impressões registradas no psiquismo durante os primeiros meses de vida são de grande relevância para o desenvolvimento posterior. Quando a criança não consegue sentir que é capaz de modificar seu ambiente (quem a alimenta), fica com um sentimento "eterno" de impotência: um sentimento profundo de inadequação e insuficiência. 

Esta é a base da inveja: supervalorizar os outros (que podem, segundo a fantasia do invejoso, fazer tudo) e esvaziar a si mesmo (que é inferior porque não pode fazer nada). Assim, nasce o desejo de esvaziar o outro para que tudo fique igual e ele não fique só. Segundo o psicanalista Mário Quilici, a inveja dá-se em quatro fases especificas:

1- Primeiramente, o indivíduo olha um objeto, situação ou um traço de alguém que imediatamente admira. Compreende a importância daquele traço para ele. Ou seja, vê, admira e deseja. 

2- No momento seguinte, faz uma comparação entre o que o outro tem e o que o indivíduo não tem. Ele toma consciência de uma falta sua porque já discrimina. Aqui o processo cognitivo é importante. 
3- Aí se dá o terceiro momento da inveja, que é a percepção - e ao mesmo tempo a vergonha - de uma falta nele do que foi admirado (e valorizado) no outro. Surge aí, também, a constatação de que aquilo que desejou, é impossível de ser obtido por ele. 
4- Logo estamos na quarta e última fase: A inveja é disparada pela percepção de uma falta no indivíduo. Essa insuficiência faz com que ataque e conseqüentemente espolie o objeto invejado para fazer desaparecer a diferença que foi percebida. 


Numa luta secreta e constante, aquele que se sente insuficiente tenta esconder sua vergonha de ser incapaz. Assim, procurando evitar qualquer situação que o faça sentir mais humilhado, ele ataca antes de ser atacado. Isto é, ele compete sozinho. A competição é um hábito do invejoso, pois ele tem dificuldade de receber ajuda, fazer junto e cooperar. 

O invejoso sente tem até mesmo dificuldade de receber presentes, pois ele teme qualquer situação que revele sua auto-imagem de carência e necessidade. Por isso, quando os recebe, procura sempre retribuí-los logo. Muitas vezes, a dificuldade de delegar tarefas também pode estar relacionada à inveja. A inveja impossibilita o sentimento de gratidão. Isso ocorre porque o invejoso é incapaz de sentir que o outro lhe dá algo de bom grado e sim, o faz por necessidade de humilhar o invejoso. 

O Novo Dicionário Aurélio explica: “Inveja é o desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Um desejo violento de possuir o bem alheio”. Já o Dicionário de Psicologia Dorsch esclarece: “A inveja pertence aos sentimentos intencionais. É uma insatisfação, o aborrecimento com a alegria do outro”. Portanto, aquilo que é invejável é encarado como algo de muito valor. 


Se prestarmos atenção às qualidades do objeto, pessoa ou situação pela qual sentimos inveja, poderemos compreender melhor o que nos sentimos incapazes de conquistar. Neste sentido, a inveja é um espelho que revela uma parte de quem somos, onde estamos e para onde queremos ir. 

Saber para onde queremos ir é a condição básica para sair da imobilidade. Por isso, se aprendermos a reconhecer os padrões emocionais que sustentam nossa inveja poderemos torná-la um método eficiente para diagnosticar nossas faltas. Desta forma, poderemos transformar a inveja numa força inspiradora de conscientização, no lugar de um sentimento apenas desagradável. Reconhecer para onde queremos ir é em um estímulo para tomarmos uma atitude proativa diante de nossas dificuldades. 

Talvez não possamos modificar nada ao nosso redor. Mas se pararmos para aprender com nossos sentimentos negativos, poderemos mudar a nossa atitude mental e atrair o novo para nossa vida. Thomas Moore faz um comentário interessante em seu livro Cuide de sua alma (Ed. Siciliano): “Por um lado, a inveja é o desejo por alguma coisa, e por outro, é uma resistência ante o que o coração realmente quer. Mas inveja, desejo e abnegação trabalham juntos para criar um senso característico de frustração e de obsessão. Apesar de a inveja ter um ar masoquista - a pessoa invejosa acha que é uma vítima de má sorte -, ela também envolve forte vontade na forma de resistência ao destino e ao caráter. Quando invejosa, a pessoa torna cega a sua própria natureza. [...] O verdadeiro problema da inveja não é a capacidade do indivíduo viver bem, é a sua capacidade de não viver bem”. 




Fonte: somostodosum