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sábado, 15 de dezembro de 2012

Andarilha



De olhos fechados com a brisa suave a envolver os meus cabelos, sentir o aroma da terra a envolver-me, como num abraço de boas-vindas. Infinita calmaria que me abraça e me consola, peço que me leve embora dessa loucura urbana. 

Pertenço a qualquer estereótipo banal, não perdendo jamais meu o sentido, o que almejo e talvez sem uma estrada definida seria ideal.  

Não me deram opções...Permaneço livre para formular a minha opção, fazer e dar sentido ao que realmente sou e o que essencialmente busco.

Por Mah Magnusson



quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Óbvia embriaguez

Procurava pelos cantos das entrelinhas razões que mudassem o que de fato não poderiam mudar nos vossos corações. Insistia na bondade da oligarquia que a riqueza seria conquistada por todos por mais que existisse rebeldia.

Dormia alegremente nos braços de Morfeu...Tornando seus sonhos mais doces para viver do que já morreu.
Mergulhava na angustia, percorria no desespero e corria do temor da solidão... Andarilha apática da alegria fantasiada.
Viajava pelos montes dos alqueires em um reino distante, tornando real um pedaço do passado despedaçado. Falava com os anjos, sentia borboletas flutuando no estomago, mas se esqueceu de tomar o chá de cogumelo que deixou em cima da mesa e teve que voltar dos montes dos alqueires.
Bela voz impostora que sustentava o fruto mais doce dos sonhos despedaçados. A bela voz impostora se desfez do patético ao desencanto mais obvio de todos os tempos. Não importantes com o brilho ofuscante da essência, apenas olhou cegamente o encanto do encanto do instante. Enganou-se e na sua inocência confundiu os perfumes...O anjo não era anjo. 
Bebeu do cálice, o saboroso vinho do reino das armadilhas... Nas tentativas falhas de permanecer embriagada, uma gota de vinho escorregou de sua boca e manchou seu vestido... Pensou ser um sonho e do inevitável enxergou o que era óbvio demais e nada além do que já pressentia.
Não terminaste seu cálice e no mesmo instante saístes no desespero profundo à procura da saída mais próxima do reino. Atordoada, angustiada sentia-se perfurada pelos respingos de vinho derramados do cálice.
Relutou em tentar novamente a permanecer no reino, mas sua coragem a proibiu e sua consciência foi tomada por uma invasão de princípios.
Seguiu em frente, não olhou mais para trás... Continuou caminhando em seus passos pesados e mesmo angustiada ergueu a cabeça, apenas sorriu e disse:

 “Não há tempo para perder perto daqueles que nos tornam ainda menores. Sou feliz por continuar a me embriagar com aqueles que me tornam gigante em qualquer reino”. 

Por Mah Magnusson

sábado, 10 de novembro de 2012

Nascemos originais e morremos cópia

Fico previamente angustiada quanto aos assuntos alheios que vejo, então quando observo com atenção percebo que as pessoas não estão a fim de melhorar seus argumentos, apenas soltam tudo sem pensar e pronto. Tudo muito mecanizado, discursos prontos e politicamente corretos.

 Penso que hoje em dia é difícil ser o que realmente é  sem parecer uma copia barata da mídia, internet, é muito modismo... Leio alguns textos, postagens, frases  e percebo a falta de originalidade seja do assunto em si ou até mesmo quando vão falar de si mesmo. Parece ser tão difícil as pessoas falarem delas, sinto um vazio em cada postagem no facebook, por exemplo, ninguém parece justificar os próprios meios ou nada por  nada!

Qual o propósito em parecer cópia perante as outras pessoas, perante a sociedade? Ser mais um fantoche do que julgam ser correto? Fica nítida a falta de subjetividade em todos aspectos...Muita bondade alheia sobrando! 
Precisa postar, falar, comentar 500 vezes sobre o mesmo assunto? Conheço gente  que se diz vegetariano mas já vi no McDonald's (comendo um lanche que certamente não era de soja! rsrs) Postando sobre respeito, fidelidade e penso caramba quanta hipocrisia! Por que você sabe muito bem o que a pessoas faz fora dali... Enfim, minha crítica não de julgar o que cada um é, ou o que cada um acredita, mas o que de fato tentam ser! Poxa, então a moda agora é ser ateu e vegetariano, pronto. Tem que ser isso ou aquilo quando você realmente acredita, quando VOCÊ acredita! Ser o que de fato é, como diz a Pitty: "mesmo que seja estranho seja você, mesmo que seja bizarro seja você..." Será que é tão ruim ser o que é? Pode ser uma tarefa um tanto árdua quando assumimos o nosso verdadeiro eu, pois podem surgir muitas pessoas que não vão gostar do nosso jeito, mas ainda sim é preferível seguir sua própria essência sem parecer mais um produto de fabricação em massa! 

Será que precisa mesmo enfatizar tanto sobre o mesmo assunto? Precisa provar que  é exatamente nisso que acredita? Quando enfatizamos tanto em um determinado assunto  nossa cognição esta voltada na direção que nos apontando o que precisamos afirmar por inúmeras vezes para nós mesmos o quanto precisamos acreditar, porém isso surge como falsificador de ideias do nosso sistema cognitivo, é como se tivéssemos que acreditar em algo em que realmente não acreditamos, mas que precisamos acreditar, seja por status, "aparência" perante outras pessoas, enfim isso tudo servirá como estímulo reforçador da ideia. É bom pensar, revisar, analisar e enxergar o propósito no qual está inserido e verificar a veracidade do que realmente diz acreditar, passar uma imagem falsificada não vai resultar bons frutos, muito pelo contrário isso mostra deficiência na formação da personalidade. A vida passa muito rápido e não há tempo de agradar a todas  pessoas, de tentar ser o que não lhe cabe, de tentar fazer sentido no que essencialmente não é. Melhor é ser autêntico de ideias, fazer coisas, acreditar naquilo que vem de dentro e saber/ter a humildade de aceitar o que é e que outras pessoas não vão gosta de você, mas que algumas outras vão se apaixonar, simplesmente por ser você. 



Por Mah Magnusson

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Uma leve Paranoia

Certamente devo confessar que tenho certas perseguições cognitivas... Lutando contra pensamentos intrusivos, descobri a pouco tempo que sou digamos que um pouco "paranoica",  nada patológico, o suficiente para corrigir certos defeitos e anular circunstancias desnecessárias.


Foto: Anja Stiegler
Nos últimos meses tenho percebido uma fumaça tóxica ao meu redor. Chuvas e mais chuvas de críticas nada construtivas e meros pensamentos destorcidos da minha própria realidade. A cada elogio me sentia mal, pensava ser apenas elogio errôneo de pessoa que talvez estivesse com alguma outra intenção ao me elogiar e não de realmente assegurar o elogia, logo acabava por levar o elogio como crítica também.

Em relação às críticas percebi que não as aceito se não for devidamente alinhada e acompanhada a uma construção para melhoria do que está sendo criticado. Mas, isso foi ficando exaustivo! Pensar que todos são obrigados a se alinhar nesse meu pré-requisito moldado ao egocentrismo, desconfianças injustificadas, contexto que eu mesma estava criando (ou não)...
Comecei a ser muito exigente com as pessoas, querendo mais delas e esperando sempre o melhor delas em relação a mim. Vivendo praticamente a mercê do que as pessoas próximas pensam ou podem vir a pensar de mim, no entanto, há uma ruptura na cognição quanto a isso, apenas se prestarmos a atenção podemos observar que se espero muito das pessoas, logo vou culpá-los dos meus próprios erros, pois depositei toda minha expectativa e caso não seja retribuída acarretara a uma frustração, eu frustrada = decepcionada e decepcionada = culpa “das pessoas”.

Outro fator que me fez pensar que sou um tanto paranoica é que quando sinto certo tom de ameaça em uma conversa, por exemplo, imediatamente contra ataco pressentindo algo ameaçador, uma ofensa no caso, ou anulando meu conhecimento do respectivo assunto na roda. Isso me deixa ansiosa, não aceito o contrário, porém de modo que justifiquem o porquê, como, onde... Mas ninguém justifica nada! E então sou obrigada a ficar cobrando tanto de mim a ponto de me enquadrar nas características do Distúrbio de personalidade paranoide.

Talvez eu realmente tenha uma "leve paranoia" no que se refere a esses argumentos citados, quanto eu achar que as pessoas apenas me criticam, não gostam o suficiente de mim e blá blá...Mas cobrar tanto de mim, cobrar tanto das pessoas, me auto-analisar para reconhecer os meus  próprios erros e defeitos a fim de melhorá-los, não é ser paranoica. Mas tive vontade de escrever sobre isso do ponto de vista empírico, não apenas citar o que pôde vir a ser esse distúrbio  pois isso é seria o caso de jogar no Google e pronto! 
Venho sempre na tentativa de mesclar minhas experiências com meus estudos, claro que isso é apenas uma tentativa (tá! tá bom não estou desconfiando da minha capacidade, apenas sendo humilde quanto ao meu conhecimento rsrs). 
Ah, não se assustem, pois é perfeitamente normal Psicólogo apresentar alguma característica entre paranoia e neurose rsrs Isso é quase um pré-requisito da profissão é exatamente isso que nos da sentido para analisar o nada, o que ninguém vê, o obvio que todos pensam  conhecer, ir além do que se pode ver...

 Por Mah Magnusson

sábado, 27 de outubro de 2012

Minha Liberdade

Foto: Anja Stiegler
        O que me faz pensar em liberdade, não é aquela liberdade de intenção romântica, de ir para todos os lados a fim de adquirir novas experiências amorosas. Acredito que a liberdade seja relativa, logo cada pessoa enxerga de maneira em que acredita que seja bom ou importante para sua vida. Existe a liberdade de poder fazer simplesmente o que gosta, de trabalhar com o que sempre sonhou, comprar o que deseja, realizar sonhos, ter dinheiro, acredito que uma boa parte da liberdade é afetada pelo dinheiro, porque no caso,  por exemplo das vontades citadas acima, o dinheiro contribuirá para realização de muitos desejos, ele entra como um facilitador de desejos, é indispensável nas nossas vidas! Partindo de um raciocínio lógico em relação à liberdade, nos permite incluir como fator crucial a independência financeira. Mais do que nunca, a liberdade está atrelada à segurança financeira, pois buscamos sempre condições que nos são favoráveis para fazer planos, traçar metas em que o dinheiro está explicitamente ligado. Não quero discutir e nem levantar questões do tipo "O dinheiro não trás felicidade ou não compra felicidade" enfim, apenas quero relacionar  a liberdade com o dinheiro. Normalmente não podemos fazer quase nada sem o dinheiro, logo ele está ligado intrinsecamente a nossa tão estimada liberdade.
          Para Sartre (filósofo francês) que defende que a liberdade é absoluta ou não existe! Ele fala sobre a falsificação que fazemos sobre a liberdade, a má fé e refere ao determinismo da nossa espécie que colocamos no lugar do nada o ser. O que Sartre defende é que não conseguimos lidar com o nada e buscamos formas para justificar essa ausência do nada.
            Segundo Sartre, “a liberdade humana revela-se na angústia. O homem angustia-se diante de sua condenação à liberdade. O homem só não é livre para não ser livre, está condenado a fazer escolhas e a responsabilidade de suas escolhas é tão opressiva, que surgem escapatórias através das atitudes e paradigmas de má-fé, onde o homem aliena-se de sua própria liberdade, mentindo para si mesmo através de condutas e ideologias que o isentem da responsabilidade sobre as próprias decisões”.
          Para Schopenhauer, “a ação humana não é absolutamente livre. O homem não possui liberdade, pois é regido segundo suas vontades, não sendo livre para controlar a própria vontade, segundo Schopenhauer,” O que parece deliberação é uma ilusão ocasionada pela mera consciência sobre os próprios desejos. É poder viver sem ninguém mandar”.
Concordo com as duas linhas de pensamentos tanto Sartre como Schopenhauer, (entre outras teorias sobre o assunto que ficaria enorme se citasse todos aqui). Independente de tudo que se discuti a respeito desse assunto, acredito que a liberdade é relativa e está ligada com o direito de ir e vir, seja com ou sem money. Não somos totalmente livres para fazer escolhas, cada escolha será influenciada por fatores do ambiente que estamos inserido, isso é óbvio! Ao tomar uma decisão, faz-se necessário uma análise prévia de benefícios e consequências. Não vou nem dizer o quanto perdemos e ganhamos quando decidimos por isso ou aquilo. Então, ganhos e perdas são inevitáveis em qualquer situação, o que vale é checar o tanto que se quer, o risco que se está sujeito a correr, partir de uma análise qualitativa e quantitativa e observar qual o parâmetro que esta seguindo para tomada de decisão.
       Com diferentes pensamentos sobre a liberdade,  eu pergunto: Qual é a sua liberdade? O que você pode fazer ou deixar de fazer? E o que lhe impede de fazer? A minha liberdade é monstro, (como costumo dizer) simplesmente quero agarrar o mundo e levá-lo nas costas! Essa liberdade monstro que vem do fundo do âmago e me faz querer conhecer lugares, viajar pelo mundo...Essa é a minha liberdade, como uma andarilha desprendida conhecendo lugares afim de deixar a natureza me embriagar com tamanha beleza.

Por Mah Magnusson

sábado, 4 de agosto de 2012

Inveja

A inveja é um sentimento intrigante. Apesar de todos nós o experimentarmos, ninguém gosta de reconhecer quando o está sentindo. Afinal, é um sentimento controverso: indica que algo positivo desperta algo negativo. 
Vamos imaginar uma conversa entre pessoas que estão “jogando papo fora”. Do nada, alguém começar a falar das coisas boas que estão lhe acontecendo. Quantos rostos e mentes diferentes surgem naquele momento! Poucos expressam interesse real e se regozijam com sinceridade. A maioria irá sentir inveja, mesmo que não se dê conta... 

Foto: Vladimir Fedotko

Alguns expressam sua inveja com brincadeiras de “mau gosto”. Outros, calados, costumam pensar: “Como ele é exibido e gosta de contar vantagem!”. Já aqueles que não conseguem conter o ardor da inveja a queimar o seu interior, passam a criticá-lo, com a intenção de depreciar abertamente a sua boa sorte. Há ainda aqueles que passam a dar conselhos para ajudar aquela pessoa de sucesso a garantir o seu triunfo. 
O clima pesa, pois não há mais empatia entre as pessoas. Provavelmente, muda-se de assunto. Pois a essa altura da conversa todos estão sofrendo: quem contou sente-se só e arrependido. Quem escutou, agora sente-se incomodado, inquieto e talvez nem saiba porquê. A inveja é destrutiva, tanto para quem a sente quanto para quem a recebe. Quem já não vivenciou um mal-entendido quando alguém resolveu dar boas notícias! 
 O senso comum concorda que é melhor se precaver: “Inveja traz mau-olhado. Quando estamos vivendo uma situação muito boa é melhor calar”. 

Olho-gordo é um nome popular para a inveja. Pois quando o invejado toma para si as projeções negativas do invejoso, acaba por concretizá-las. O tema que evoca a inveja é sempre alguma coisa que poderia revelar o que está faltando na personalidade daquele que a sente. É como se o invejoso falasse em voz alta algo que o invejado não gostaria que jamais viesse à tona. Neste sentido, para não se deixar contaminar pelo veneno do invejoso, o invejado deve observar com honestidade sua reação frente ao ataque do invejoso. Se ele estiver livre das questões expostas pelo invejoso, sua clareza de intenção irá protegê-lo do possível ataque do “olho-gordo”. 

Quando somos criticados por avaliações contaminadas pela inveja, podemos nos sentir injustiçados e vulneráveis frente ao ataque externo. Neste momento, é bom lembrar que é praticamente impossível ser compreendido por todos, assim como é inviável agradar a gregos e troianos. O importante é mantermos o foco em nossas metas para não nos contaminarmos pela inveja alheia, pois ela sempre estará presente, de uma forma ou de outra. 

A inveja surge do sentimento de que somos incapazes de viver nossos próprios sonhos, de alcançar nossas metas e realizarmo-nos. Por isso, o exemplo daqueles que realizaram algo nos faz lembrar aquilo que não fomos capazes de fazer. No entanto, muitas vezes a sensação de incapacidade, a matriz da inveja, deve-se à escolha inadequada de metas, como desejar algo que não está ao nosso alcance. Em geral, costumamos não valorizar as coisas que já realizamos e assim cultivamos a sensação de desvalia sem nos darmos conta de nosso próprio valor. Neste sentido, a inveja consome o invejoso, porque o faz dar valor apenas ao que está além de seu alcance. 


A inveja é um dos sentimentos mais difíceis de serem aceitos pelo ser humano, pois na maioria das vezes é inconsciente. Isto ocorre porque ela se forma muito cedo em nossa vida. A inveja surge nos primeiros meses de vida na relação com quem nos alimenta! Quando queremos mais alimento e não temos, não toleramos a frustração, ficamos com raiva de quem tem o alimento. Com inveja dele, queremos destruí-lo. Como podemos constatar, a inveja é um sentimento primitivo, pouco 
elaborado. Ela está baseada no sentimento de inferioridade, adquirido pela comparação que se faz com outra pessoa em algum aspecto específico.

Assim como escreve Elisa Cintra em Melanie Klein Estilo e Pensamento (Ed. Escuta): “`Quem desdenha quer comprar´, diz o ditado: a inveja é quase sempre detectável na vida cotidiana por esse trabalho de desvalorização do outro, o que também foi narrado pela fábula da raposa e das uvas. Impossibilitada de ter acesso às uvas, a raposa começou a tecer considerações sobre a falta de valor dos frutos, o fato de estarem verdes... A inveja dirigiu-se aos frutos, isto é, à criatividade da árvore, àquilo que ela pode oferecer e criar. A idéia de `frutos´permite que se lembre a inveja da obra do outro, de suas idéias, de seu trabalho e de sua capacidade de criar obras de arte ou científicas. Entretanto, a inveja vai mais longe: além de depreciar os frutos, ela tenta diminuir o prazer da própria situação de gratificação, como na expressão popular `não dar o braço a torcer´, admitir o poder do outro”. 
         As impressões registradas no psiquismo durante os primeiros meses de vida são de grande relevância para o desenvolvimento posterior. Quando a criança não consegue sentir que é capaz de modificar seu ambiente (quem a alimenta), fica com um sentimento "eterno" de impotência: um sentimento profundo de inadequação e insuficiência. 

Esta é a base da inveja: supervalorizar os outros (que podem, segundo a fantasia do invejoso, fazer tudo) e esvaziar a si mesmo (que é inferior porque não pode fazer nada). Assim, nasce o desejo de esvaziar o outro para que tudo fique igual e ele não fique só. Segundo o psicanalista Mário Quilici, a inveja dá-se em quatro fases especificas:

1- Primeiramente, o indivíduo olha um objeto, situação ou um traço de alguém que imediatamente admira. Compreende a importância daquele traço para ele. Ou seja, vê, admira e deseja. 

2- No momento seguinte, faz uma comparação entre o que o outro tem e o que o indivíduo não tem. Ele toma consciência de uma falta sua porque já discrimina. Aqui o processo cognitivo é importante. 
3- Aí se dá o terceiro momento da inveja, que é a percepção - e ao mesmo tempo a vergonha - de uma falta nele do que foi admirado (e valorizado) no outro. Surge aí, também, a constatação de que aquilo que desejou, é impossível de ser obtido por ele. 
4- Logo estamos na quarta e última fase: A inveja é disparada pela percepção de uma falta no indivíduo. Essa insuficiência faz com que ataque e conseqüentemente espolie o objeto invejado para fazer desaparecer a diferença que foi percebida. 


Numa luta secreta e constante, aquele que se sente insuficiente tenta esconder sua vergonha de ser incapaz. Assim, procurando evitar qualquer situação que o faça sentir mais humilhado, ele ataca antes de ser atacado. Isto é, ele compete sozinho. A competição é um hábito do invejoso, pois ele tem dificuldade de receber ajuda, fazer junto e cooperar. 

O invejoso sente tem até mesmo dificuldade de receber presentes, pois ele teme qualquer situação que revele sua auto-imagem de carência e necessidade. Por isso, quando os recebe, procura sempre retribuí-los logo. Muitas vezes, a dificuldade de delegar tarefas também pode estar relacionada à inveja. A inveja impossibilita o sentimento de gratidão. Isso ocorre porque o invejoso é incapaz de sentir que o outro lhe dá algo de bom grado e sim, o faz por necessidade de humilhar o invejoso. 

O Novo Dicionário Aurélio explica: “Inveja é o desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Um desejo violento de possuir o bem alheio”. Já o Dicionário de Psicologia Dorsch esclarece: “A inveja pertence aos sentimentos intencionais. É uma insatisfação, o aborrecimento com a alegria do outro”. Portanto, aquilo que é invejável é encarado como algo de muito valor. 


Se prestarmos atenção às qualidades do objeto, pessoa ou situação pela qual sentimos inveja, poderemos compreender melhor o que nos sentimos incapazes de conquistar. Neste sentido, a inveja é um espelho que revela uma parte de quem somos, onde estamos e para onde queremos ir. 

Saber para onde queremos ir é a condição básica para sair da imobilidade. Por isso, se aprendermos a reconhecer os padrões emocionais que sustentam nossa inveja poderemos torná-la um método eficiente para diagnosticar nossas faltas. Desta forma, poderemos transformar a inveja numa força inspiradora de conscientização, no lugar de um sentimento apenas desagradável. Reconhecer para onde queremos ir é em um estímulo para tomarmos uma atitude proativa diante de nossas dificuldades. 

Talvez não possamos modificar nada ao nosso redor. Mas se pararmos para aprender com nossos sentimentos negativos, poderemos mudar a nossa atitude mental e atrair o novo para nossa vida. Thomas Moore faz um comentário interessante em seu livro Cuide de sua alma (Ed. Siciliano): “Por um lado, a inveja é o desejo por alguma coisa, e por outro, é uma resistência ante o que o coração realmente quer. Mas inveja, desejo e abnegação trabalham juntos para criar um senso característico de frustração e de obsessão. Apesar de a inveja ter um ar masoquista - a pessoa invejosa acha que é uma vítima de má sorte -, ela também envolve forte vontade na forma de resistência ao destino e ao caráter. Quando invejosa, a pessoa torna cega a sua própria natureza. [...] O verdadeiro problema da inveja não é a capacidade do indivíduo viver bem, é a sua capacidade de não viver bem”. 




Fonte: somostodosum

sábado, 12 de maio de 2012

Sereníssima


Sou um animal sentimental. Me apego facilmente ao que desperta meu desejo. Tente me obrigar a fazer o que não quero. E você vai logo ver o que acontece. Acho que entendo o que você quis me dizer. Mas existem outras coisas.

Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade, tudo está perdido mas existem possibilidades.Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos. Tínhamos um plano, você mudou de idéia. Já passou, já passou - quem sabe outro dia.

Antes eu sonhava, agora já não durmo. Quando foi que competimos pela primeira vez? O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe.Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.

Não estou mais interessado no que sinto. Não acredito em nada além do que duvido. Você espera respostas que eu não tenho mas não vou brigar por causa disso. Até penso duas vezes se você quiser ficar.

Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada. Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço. Enquanto o caos segue em frente
Com
toda a calma do mundo.
Legião Urbana



quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sempre néctar


Tudo que a vida oferece de ruim entre fases e mais uma infinidade de dores causadas por muitas decepções, não foram suficiente para perder a minha esperança, minha essência e meu valor.
Com muitas decepções, ainda sim se faz necessário sentir e olhar para as coisas todas com pureza. Não se pode deixar que as amarguras das decepções façam de nossas vidas um devaneio, não é preciso fulgir pra lugar algum quando se ainda tem certa doçura. Calejado coração, às vezes quase não pode suportar certa angústia e mais angustias de um flagelado que hábita no peito. Deixa ir! É sempre melhor tirar aquilo que não faz bem. Para quê viver ou conviver com algo que não acrescenta nada, que machuca e que empobrece a alma?
Devemos sempre interferir no que podemos e abandonar o que não nos deixa interferir. Apenas deixe ir, pois o tempo é o melhor remédio para as dores de angústia, o tempo é um mestre perfeito que nos ensina, nos orienta e apaga qualquer problema sem dizer palavra alguma.
Como sempre é necessário prevalecer essa doçura que insisti em residir em minha alma, entretanto ainda que em fases se divida e torna-se uma nômade, ainda persisti em mim e não a deixa ir... Não deixo ir! Nunca se pode tirar aquilo que nos faz bem, nos ilumina, engrandece a alma, que sejam coisas ou pessoas. Se nos move para um crescimento enquanto ser humano e nos deixa em perfeita harmonia, então encontraste a magia da pureza, da essência e da doçura do que é bom e merecedor de permanecer em nossas vidas para sempre.
Como disse que com tantas obliqüidades da vida ainda consigo sentir as coisas boas e por mais que tente ser dura muitas vezes são tentativas falhas de um coração “mole” que mesmo que em alguns períodos possa ser invadido por certo narcisismo, no entanto nunca se esquece de onde veio. Talvez seja essa doçura que insisti em permanecer comigo e que não importa o que aconteça, consigo voltar para mim mesma sempre a tempo de perceber quem realmente sou o que tenho e, portanto é o que verdadeiramente importa.

Por Mah Magnusson


"Doçura é a maestria dos sentidos. Olhos que vêem no fundo das coisas, ouvidos que escutam o coração das coisas, lábios que falam apenas a essência das coisas. Doçura é o resultado de uma longa jornada interior ao âmago da vida e a habilidade de lá permanecer e observar. A doçura procura pelo bem nas coisas, pois no seu coração reside a convicção de que o bem existe em algum lugar em tudo, é só ter paciência para descobri-lo". Brahma Kumaris

sábado, 5 de maio de 2012

Bye bye cigarettes!

Quero relatar que recentemente decidir não fumar mais. Simples assim? Talvez! Parece que foi da noite para o dia que tudo mudou, mas não foi bem assim que minha vontade de fumar simplesmente sumiu... Vejamos, no entanto, que minha vontade estava ligada no prazer que sentia ao fumar. Minha vontade estava ligada diretamente à aparência, ou seja, no ato de fumar e não necessariamente no gosto ou de certa forma atribuída a uma necessidade fisiológica que normalmente se apresenta em muitas pessoas. Digo de fato que minha vontade estava direcionada ao hábito de fumar em si e isolado deliberadamente em atitudes convictas socialmente acompanhadas por estímulos presentes. Já que a vontade está atrelada a fatos que se remetem em avaliar, julgar e decidir, bem então aos 19 anos eu decidi fumar e por seis anos o cigarro foi um companheiro digamos que nem tanto esporádico como no inínio, mas que com o tempo tornou-se um companheiro rotineiro e muito presente ejamais poderia faltar. 
No último evento social que fui, ainda forcei-me a fumar três cigarros e que por sinal não gostei de ter feito isso. Encontrei duas amigas que também pararam de fumar, então isso me fez tomar mais consciência e acabei voltando do evento com o maço de cigarro cheio! Parece mágica  não é mesmo? Mas sabemos que não é bem assim. Há tempos que já pensava em parar com esse hábito, porém nunca houve tentativas concretas que estimulassem e me fizessem querer realmente parar de fumar, então apenas pensava que queria.

Comecei a fumar tarde diferente de muitos que iniciam na faixa dos 13 anos, porém ainda estou dentro de uma faixa que varia dos 13 aos 25 anos em idade estatisticamente propícia ao tabagismo, assim como apontam estudos. Foi  ao fim de uma adolescência retraída que entreguei-me ao primeiro trago. E nessa fase, por ser muito tímida eu não conseguia lidar com minhas mãos, quando conversava com alguém, era muito difícil para mim e principalmente quando chegava em algum lugar, parecia que todos me olhavam e eu não gostava disso e como quase sempre estava sozinha nos lugares eu tinha medo que as pessoas me apontassem e falassem “Que coitada está sozinha!” enfim, eu temia que coisas desse tipo virassem comentário alheio, então foi aí que o cigarro entrou em cena, me “libertando” dessa minha solidão e tornando-se um companheiro fiel. Ajudava-me sim, pois minhas mãos não estavam mais vazias e não estava mais sozinha, eu estava ali sem alguém, mas com o cigarro para minha companhia. Logo depois que comecei a fumar, comecei também a namorar um rapaz que fumava muito e  nem precisa falar que foi um estimulo mais que eficiente para que eu continuasse na onda neh?!

 Quando se é fumante, é possível associar o cigarro a tudo que lhe dá vontade de fumar, tornam-se estímulos mais que reforçadores como por exemplo; se está nervoso, ansioso, depois que se alimenta, um cafezinho, depois que transa, quando se irrita e discuti, desilusão, tristeza, estress, ao ingerir bebidas alcoólicas, comemorações e etc...Uma infinidade de estímulos que se associa facilmente e porquê não pode ser o contrário? Vejamos, se eu consigo associar a minha vontade de fumar com tudo isso, porque então eu não consigo associar com coisas como o câncer de boca, laringe, gargantas, esôfago, pâncreas, estômago, intestino delgado, bexiga, rins e colo do útero; derrame cerebral, ataque cardíaco, doenças pulmonares crônicas, distúrbios circulares, úlceras pépticas, diabetes, infertilidade, osteoporose e infecções dos ouvidos? [...]
            Ah, mas isso todo mundo sabe neh?! Eu mesma sabia de tudo isso e mesmo assim continuava a fumar. Bem, como dizemos que cada um é cada um, se você está feliz assim então tudo bem, quem compra seu cigarro é você, enfim, não tente convencer um fumante a parar de fumar, ele não aceitará e terá muitos argumentos e ganhará pela ânsia de fumar.
 Não há argumento que convença alguém a parar de fumar se NÃO QUER PARAR, a vontade de parar virá ou não. Todos uma vez ou outra já pensaram em parar, mas cada um tem seu tempo. Comigo, quer saber se usei técnicas psicológicas? Sim, com certeza utilizei por esse motivo consegui parar e até o momento não sinto vontade. Entendamos o que citei acima sobre as doenças, pois no sentido de associação com fatores que fazem mal podemos fazer essa troca e generalizar o cigarro a tudo de ruim que ele é. Quando você almoça vem aquela vontadezinha, e ao invez de ir fumar, você pode tentar ler algo em que o cigarro pode causar a sua saúde. Toque em seu ponto fraco com relação ao cigarro como, por exemplo: Gosta de correr, mas sabe que o cigarro te inibiu e cansa-se rapidamente; fuma escondido porque seus pais não gostam e não quer decepcioná-los; sente-se mal quando encontra aquele cara que não fuma e você está com aquele cheiro; está desempregado e não tem dinheiro e/ou cigarro está caro mesmo.Use esses estímulos como reforçadores ao seu favor. Podemos listar muitos estímulos reforçadores para que se possa usar quando sentir vontade de fumar, mas isso é relativo, então você deve encontrar algo que mais goste seja a sua saúde, amigos, família, carreira, beleza e destes consiga relacionar com o cigarro como sendo algo negativo para que estes mesmos estímulos possam funcionar.
Para mim foi a vaidade, é claro que pensei em minha saúde como um todo, mas o que foi ressaltante foi o medo do envelhecimento precoce. Eu admito que sempre fui vaidosa, não tenho medo de envelhecer, mas na minha idade parecer mais velha e sem saúde isso me assusta! E não vai longe não, se pensa que os males do cigarro vão vir quando tiver 50,60 ou 70 anos engana-se, pode dizer que é relativo e claro que cada organismo reage de uma maneira mais precoce ou mais tardia frente, porém vão aparecer e no meu caso seis anos foram suficientes para que eu já sentisse os efeitos. Começando pelos dentes, ficou muito amarelados, a pele, bom sempre ouvi elogios sobre minha pele e até hoje ouço elogios, mas eu sempre cuidei muito da minha pele e mesmo assim eu percebi que estava ficando cada vez mais pálida e sem brilho. Pois é, o cigarro tira até isso, por causa da má circulação sanguínea aumenta os radicais livres abrindo cada vez mais os poros, a pele reage como se estivesse intoxicada e sente que tem que respirar e de alguma forma tem que abrir um espaço para que isso ocorra. Não adianta, o cigarro acelera o envelhecimento sim! Cigarro e beleza não combinam e agradeço por ter percebido isso a tempo de não ocorrer algo de dano maior. Outro fato relevante que me fez parar também, foi com  meu estômago que começou a doer muito, a queimar e sentia-me muito mal quando fumava, parecia que piorava e a queimação aumentava...Então descobri começo de gastrite!





 Deixo aqui mais uma das minhas experiências tentando mais uma vez relacionar aos meus estudos em psicologia. E se quiser descobrir um meio de parar de fumar primeiramente comece a se perguntar, se você realmente quer parar com o cigarro? Será que está preparado para se libertar? Acredita nas doenças que o cigarro causa? Tem medo das doenças ou acha que vão aparecer quando estiver bem velhinho? O que lhe faz fumar? O que te move para acender um cigarro? Questione-se e descobrirá as respostas para ser livre desse mal. Estou à disposição para dúvidas, críticas, sugestãoes e esclarecimentos via e-mail segue mah.magnusson@yahoo.com.br

Por Mah Magnusson
Foto : AEP

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Intensa à borboleta

O egoísmo e a vaidade tem impossibilitado de enxergar certas mudanças que ocorreram em meu comportamento. Muitas vezes estamos tão cegos a situações cotidianas que não nos damos conta para onde estamos indo. Sinceramente acredito em bondade e não vejo maldade em tudo. No entanto, tento não criar muitas expectativas com as pessoas, por medo de me frustrar ainda mais. Mas, até onde dizer tudo que se pensa é bom? Sinceridade é o correto. Devemos sempre ser honestos uns com os outros, assim estaremos sendo honestos conosco mesmo. Nunca fui virtuosa, porém tenho meus princípios e não faço nada sem amor, seja o que for! Não digo que gosto por dizer. Não estarei lá à toa ou de bobeira...Sempre há/houve/haverá um motivo, não faço nada em vão, mas isso não quer dizer que é certo ou errado, apenas depende da maneira como vejo! 
 Constante, intensa, dramática e como costumo dizer uma romântica que nasceu na época errada (talvez) Sempre há um sumo prazer que podes me fazer acreditar, gosto de acreditar naquilo que quero acreditar e não me importas se és uma voz impostora, mas tem que me fazer crer que é pra sempre, mesmo que sinta que em instantes será perfurado. Não me importo se serei feliz por alguns instantes, mas nesse instante tenho que acreditar! Tem que ser intenso perfeito e o mais doces dos doces dos momentos.
 Esse introspecto que vos escrevo, não se trata apenas de laços conjugais, mas em todos sentidos possíveis nas relações. Não basta me tratar com sutilezas para que queira cativar minha amizade, a príncipio podes ter-me como companhia e serei a mais perfeita companhia, simplesmente porque deixarei ser-lhe o que és, agora me deixará ser o que sou? Não! Mesmo assim, eu ainda consigo ser autêntica como sempre fui, não consigo me esconder e sou espontânea em tudo que faço. Se eu não gosto, vou fazer caras e bocas, será percebido por todos e notarás que não sei disfarçar.
A intenção nunca foi a de magoar alguém, pode parecer o poço de bondade, mas vejamos que não é bem isso. Na verdade o egoísmo que rege, pois há uma precupação excessiva e não há tempo de pensar em fazer mal ou magoar alguém. Mas justamente por conta desse egoísmo  é  possível magoar as pessoas principalmente aquelas a quem amamos muito. Até onde pode ir esse amor próprio? E ser respaldado por esse egoísmo incessante?
               Eu respiro tudo com muita força que meus pulmões quase não chegam a suportar tanto ar...Intensa, chego a não suportar. Viver intensamente muitas vezes pode ser cansativo e doloroso, logo nem sempre é bom. Minha alma é assim, uma mistura de ardor e aventura, aqui nada é calmaria, ou pode ser que apenas está calmo, porém pedindo calor. Nunca se satisfaz. O muito às vezes é pouco e o pouco às vezes não é nada. Tenho ou não tenho, não penso em metade, não quero restos e não gosto de fazer cisão entres coisas e muito menos de pessoas! Pensar para mim é um saber de tudo isso, é o que me atormenta, mas que alimenta meu coração e me dá inspiração para redigir estas palavras.
              Andei pelos bosques escaldicos e me perdi para me encontrar. Gosto de me perder sempre que é preciso, torna-se necessário e descubro nesse meio espaço um caminho lúdico que me faz voltar à quietude na perfeita consciência. No entanto, não gosto de me sentir desorientada, gosto de ter a sensação de estar fazendo o que acho que é o que eu quero no momento, mesmo sabendo que eu quero somente naquele momento e que depois, bem depois voltarei a andar pelos bosques escaldicos...

Por Mah Magnusson

domingo, 1 de janeiro de 2012

Vontades, instintos e desejos...

A vontade é uma dimensão complexa da vida mental, relacionada intimamente com as esferas instintiva, afetivas e intelectiva (que envolve avaliar, julgar , analisar, decidir), bem como com o conjunto de valores, princípios, hábitos e normas socioculturais do individuo. Não é ponto pacifico se a vontade depende mais da esfera instintiva, de forças inconscientes, da esfera afetiva, de valores culturais ou de componentes intelectuais conscientes. Alguns autores identificam a vontade ao desejo (consciente e inconsciente).
            A vontade é tema central de alguns filósofos, como Schopenhauer, Nietzsche e Kant. Para Schopenhauer (1788-1860), a essência do mundo é a vontade cega e irracional; a “vontade para a vida” (Wille zum Leben) é o principio universal do esforço instintivo pelo qual todo ser realiza o tipo da sua espécie e luta contra os outros seres para manter a forma de vida que é a sua. Em sua principal obra, O mundo como vontade e representação (1819) (1974), ele afirma que a “vontade, considerada puramente em si mesma, não conhece e é apenas um impulso cego e irresistível”. Nietzsche (1844-1900) contrapoe a razão a vontade e considera a força motriz universal do desenvolvimento a “ luta pela existência”, que se converte em “ vontade de poder” (Wille zur Macht).
            Para a corrente filosófica denominada existencialismo, o conflito entre livre arbítrio e de determinismo é uma das questões mais fundamentais para o ser humano. É o conflito entre a liberdade e a responsabilidade de decidir que destino tomar e as contingências da vida que nos arrastam de um lado pra o outro.
            O instinto é definido como um modo relativamente organizado, fixo e complexo de resposta comportamental de determinada espécie, que, por meio dela, pode sobreviver melhor em seu ambiente natural. Geralmente envolve um conjunto de respostas e comportamentos herdados que, apenas com modificações superficiais, serve sempre a adaptação do organismo. Em psicanálise, define-se pulsão como um conjunto de elementos inatos, inconscientes, de origem parcialmente biológica e parcialmente psicológica, que movem o sujeito em direção a vida ou a morte (a pulsão sexual e a pulsão de morte).
            O desejo é um querer, um anseio, um apetite, de natureza consciente ou inconsciente, que visa sempre algo, que busca a sua satisfação. Os desejos diferenciam-se das necessidades, pois estas são fixas e inatas, independentes da cultura e da historia individual, enquanto aqueles são móveis, moldados e transformados social e historicamente. A inclinação, por sua vez, é a tendência a desejar, buscar, gostar, etc., intimamente relacionada a personalidade do individuo, duradoura e estável, que inclui tanto aspectos afetivos como volitivos. Trata-se de algo constitutivo do individuo e é, em certa proporção, de natureza genética.
       
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais.