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domingo, 1 de janeiro de 2012

Vontades, instintos e desejos...

A vontade é uma dimensão complexa da vida mental, relacionada intimamente com as esferas instintiva, afetivas e intelectiva (que envolve avaliar, julgar , analisar, decidir), bem como com o conjunto de valores, princípios, hábitos e normas socioculturais do individuo. Não é ponto pacifico se a vontade depende mais da esfera instintiva, de forças inconscientes, da esfera afetiva, de valores culturais ou de componentes intelectuais conscientes. Alguns autores identificam a vontade ao desejo (consciente e inconsciente).
            A vontade é tema central de alguns filósofos, como Schopenhauer, Nietzsche e Kant. Para Schopenhauer (1788-1860), a essência do mundo é a vontade cega e irracional; a “vontade para a vida” (Wille zum Leben) é o principio universal do esforço instintivo pelo qual todo ser realiza o tipo da sua espécie e luta contra os outros seres para manter a forma de vida que é a sua. Em sua principal obra, O mundo como vontade e representação (1819) (1974), ele afirma que a “vontade, considerada puramente em si mesma, não conhece e é apenas um impulso cego e irresistível”. Nietzsche (1844-1900) contrapoe a razão a vontade e considera a força motriz universal do desenvolvimento a “ luta pela existência”, que se converte em “ vontade de poder” (Wille zur Macht).
            Para a corrente filosófica denominada existencialismo, o conflito entre livre arbítrio e de determinismo é uma das questões mais fundamentais para o ser humano. É o conflito entre a liberdade e a responsabilidade de decidir que destino tomar e as contingências da vida que nos arrastam de um lado pra o outro.
            O instinto é definido como um modo relativamente organizado, fixo e complexo de resposta comportamental de determinada espécie, que, por meio dela, pode sobreviver melhor em seu ambiente natural. Geralmente envolve um conjunto de respostas e comportamentos herdados que, apenas com modificações superficiais, serve sempre a adaptação do organismo. Em psicanálise, define-se pulsão como um conjunto de elementos inatos, inconscientes, de origem parcialmente biológica e parcialmente psicológica, que movem o sujeito em direção a vida ou a morte (a pulsão sexual e a pulsão de morte).
            O desejo é um querer, um anseio, um apetite, de natureza consciente ou inconsciente, que visa sempre algo, que busca a sua satisfação. Os desejos diferenciam-se das necessidades, pois estas são fixas e inatas, independentes da cultura e da historia individual, enquanto aqueles são móveis, moldados e transformados social e historicamente. A inclinação, por sua vez, é a tendência a desejar, buscar, gostar, etc., intimamente relacionada a personalidade do individuo, duradoura e estável, que inclui tanto aspectos afetivos como volitivos. Trata-se de algo constitutivo do individuo e é, em certa proporção, de natureza genética.
       
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais.